sexta-feira, 23 de setembro de 2011

É do cheiro que alucina depois do abraço e do beijo calado...

Já parece existir de algum jeito, um mundo e um sonho novo toda vez que eu te vejo. É que estou sentindo um friozinho aqui na barriga e um calor dos bons no coração. E não precisa, de malicia. Se soubermos com olhares nos traduzir um tanto um para o outro. Põe a mão no meu rosto assim mesmo, me abraça, me envolve. Deixa os nossos cheiros se encontrarem vez ou outra até brotarem palavras de carinho que só saem quando nos sentimos olhados com amor. Apenas não deixe de chegar e permita que o meu silêncio converse com o seu. Mãos dadas. Às vezes a gente nem precisa mesmo de palavras.

Colombina... Jeito novo...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Nonsense

Sou eu entre aspas. Eu a narradora de histórias. Eu a encantadora influência desmembrada de êxitos. Eu que fui mar e hoje tento ser céu para cortar velas com aquele azul febril. A que junta pedaços mas tritura cacos. A que olha com pena e sente desejo e que vive todo dia pelo menos umas oito horas de devaneios malucos. A senhora da razão? A sem coração? Não. A que tem medo de sofrer ou de vingar a morte dos pensamentos positivos que lhe visitavam em outra vida. A que acredita que todo verbo no futuro é imbecil. A que sempre perde apostas e sempre se esquece das coisas mais importantes. A que espera uma pedrinha nem que seja a mais pequenininha. Eu que quando dou gargalhadas as solto da maneira mais espontânea e nessas horas tenho certeza de que sou feliz e que por dentro sou feita de sorrisos. Eu sou a moça que coloca uma rosa bonita atrás da orelha e só a tira quando murcha. A que adora passáros principalmente os beija-flores. A que faz um balaio de plurais estancando a ferida mais funda. Profunda, perdida, esquecida, observadora, atriz. Sou aquela que sente o perigo antes de subir as escadas e aos invés de correr salta um por um como uma dama no teatro. A que se arrepia com a voz mais estremecedora de tão meiga. Voz essa que talvez não seja passageira. Temo, receio, titubeio a descontinuidade das coisas quando me apego. Laços feitos, vidros quebráveis, extravios. Entrar? Entrei? Dúvidas, perguntas, fragilidade. Sou versos de melancolia com resquicios de leituras diárias. Está vendo meu aconchegante lar querido também sei falar de mim, mas falar de mim também é falar de amor. Não adianta sou mesmo amor disfarçado de amor, sou loucura desbravando a razão de uma mente infinita de espaços vazios, desconhecidos. Sou a sátira que não cabe e que se abre sem ter parte. O melhor dos piores sonhos indo parar na lampada mágica do Aladim ridicularizada pensando, esperando ser o primeiro, o segundo ou o terceiro desejo de alguém. Eu que levanto bandeiras sem mastros e vivo a premeditar desvalidos e mediocres passos. Te faço virar bicho, te bagunço, te confundo. Sou águia, sou vento, sou um reflexo de instantes vividos no principio de memórias largadas a própria sorte. Sou arte, sou mar e quero ser céu também. Mas sou anatomicamente diferente você tem um coração no peito já eu sou toda coração, vão. De ir. Sou contradição, verão. Sou eu colada aqui perdendo um pedaço de mim. Escrevo, releio, apago, rabisco a vida como tinha de ser. Penhascos, muros, buracos me aguardam... Alma'minha que a aproximação entre nós seja em breve restabelecida. Bem, bem sem distração até amanhã sou a mulher mais forte que já conheci e repitirei isso toda vez que nascer o sol.

Colombina... Pela toca do coelho...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Não encontrastes? Mas há tesouros de mim por toda parte. Me ache.

Ah! então só o que falta agora é um abraço, dois braços, um coração e o que mais vier junto. Acho que a minha cota de exigências já está no fim, sinto que o inesperado me rodeia. E eu ainda só sei falar de amor. Mas não espere uma palavra doce ou uma mensagem de boa noite acho que desacostumei mesmo dessas coisas sobre conquista. Preciso que você me ensine pode ser? Aprendi a ser sozinha então o que me basta eu acho que cabe aos outros também ai acabo sendo taxada de a "sem coração" e isso as vezes me incomoda. Eu já disse aqui que a minha vontade é de céu? e continua sendo. Ainda estou tentando descobrir uma forma de ir até lá. Sem me arranhar. Sou fragmentos de dúvida e medo. Meus impulsos são exagerados e de uns dias para cá sinto que estou tão diferente como se nunca tivesse amado ninguém. Me sinto tão, mais tão diferente que é como se a minha alma nunca tivesse sentido. Não consigo pertencer ou me adaptar. Minha distância que é recebida como frieza é só uma forma de defesa do que virá depois. Aprendi a ser eu mesma porque antes eu era feita de conceitos alheios que me torturavam com suas imposiçôes e hoje sou mar, sou flor, sou brilho e sou música também. Não quero amar de relance e nem por desafio quero alguém de verdade, de carne e osso, mas de cérebro também. Quero correr na chuva e esperar uma ligação com ansiedade, quero receber e-mails de bom trabalho, quero brigar por ciume e desejar boa sorte, quero tudo isso que já tive mas agora quero que seja de verdade, quero que seja de coração, quero lágrimas de saudade. Quero alguém para me amar, que queira conhecer meus segredos, desejos e vontades, quero pele e quero também uma boa maldade. Alguém que me liberte, me expulse de mim e me mostre uma arte original e verdadeira. Sem ensaios e apresentações fajutas. Eu não quero nada impossivel, quero realidade, alma e vida, seriedade. Alguém que me goste sem maquiagem, completamente sem produção, com marcas de lençol, rosto inchado, amanhecida. Não quero recomeços, quero algo novo, surpreendente, algo que seja sempre e não seja uma montagem. E quando vier prometo partilhar minhas tentativas de céu. Mas não quero cuidar, quero ser cuidada. E a luz que vier desses olhos serão para mim como setas para a felicidade. Mesmo que demore acho que estar calado também é comunicar. Te darei boas vindas. Sou um pantano cheio de possibilidades. Me ache, me ache.

Colombina.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Oras se fosses menos prepotente, talvez a tua genialidade viesse à tona.

Essa estória de apagar o passado, virar a página, riscar, não adianta é de nada, o melhor mesmo é pegar esse livro aonde a gente vai escrevendo a nossa vida, a nossa história e por fogo, assim só restarão resquícios de lembranças queimadas indo embora com o vento. Porque desde crianças os nossos destinos andaram de mãos dadas, por mais que de vez em quando a gente passasse em meio a alguns temporais e largássemos as mãos eles se entrelaçavam sozinhos novamente. E acontece até hoje, a gente se some, se enraivece, se esquece, mas depois sempre sou pega de surpresa vendo o seu destino raptar o meu de novo, mesmo que seja por uma coisa ruim como essa de ontem. Uma coisa assim, de fazer tremer a pele, bater mais forte o coração, palavras e mais palavras de desprezo todas da boca para fora e por fim fazer os olhos chorarem lágrimas de dor. Ah se a individualidade realmente existisse e cada ser humano pudesse viver constantemente sozinho sem se apaixonar, sem amar, sem lembrar, sem querer ninguém. Se conseguissemos ser assim tão auto suficientes e de alguma forma viver em um lugar aonde ninguém pudesse me alcançar, nem você com esses braços tão maiores que os meus. Se eu tivesse o poder de fazer você engolir a seco todas essas palavras faladas, pensadas, todas as palavras vindouras de um coração enraizado de arrogância, palavras que até hoje você usa para me ferir. Tudo o que eu mais peço a Deus é para que ele navegue comigo nesse mar em fúria, e me ajude a conseguir passar pelas tempestades que só querem me fazer naufragar, que ele sustente as minhas velas e faça o meu casco forte, e me guie até a praia, porque até hoje só consigo vê-la da minha luneta ao longe. Apenas encontro garrafas boiando com mensagens dentro, prometendo a bonança tão esperada. Quase não consigo mais ser capitã desse navio, o mastro está ficando cada vez mais pesado, e já quase não consigo girá-lo para o lado certo. O céu a noite distrai a minha mente, me fazendo enxergar apenas as estrelas que parecem os teus olhos ou o teu sorriso. E quando é dia só vejo miragens da tua boca me chamando. Já avisei a ti Senhor que estou quase morrendo, não tenho mais comida, nem água para beber, a minha tripulação já não existe mais, foram todos mortos por aquele monstro que estraçalha corações, seus corpos a terra não há de comer, e suas almas estão a vagar por este mar nebuloso. Já avisei a ti Senhor que estou quase desistindo, por favor me tire destas águas revoltas e me faça aguentar firme porque sei que esta dor está findando e não quero morrer na praia.

Colombina

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Tudo o que ficou!

Lembrar e relembrar como tudo começou...
Ouvir você com som alto na minha calçada, buzinando, olhando para a porta e esperando eu abrir o portão… Toda vez sempre igual.
Mandar emails quando brigavamos, buscando uma reconciliação, te escrever cartas, tentando materializar o amor sentido dentro do peito, mensagens, as mais inesperadas possiveis.
Te abraçar, sem o tormento da perda…
Tardes de TV jogando o tempo fora, filmes no meu quarto, mais edredons e pizzas na sua cama, meu chiclete e o seu chocolate guardados dentro do carro.
Andar léguas de mãos dadas, mesmo que estivessem suadas.
Suas broncas…
Me levantava com um braço só,
Cheiroso…
Sentir sua respiração.
Seu sorriso que me fazia sorrir…
Fazer carinho nas suas costas, enquanto você fingia que dormia só para eu não parar de deslizar os meus dedos…
Dizer que você era lindo e era meu, quando te sentia chateado...
Passar noites acordada, a você me juntar, ignorando o que eu não gostava, só para ficar mais perto de você.
Dividir amigos…
Espalhar carinho…
Passar tardes de domingo na sua casa, te vendo jogar video game, sem nem me deixar encostar nos controles, sem me dar conta das horas…
Estrada de chão, poeira...
Escutar suas angústias com a familia, tentar te convencer a fazer o certo…
Te cobrir, ver você dormir…
Esperar todos os seus momentos…
Esperar você pular a janela, sem os cachorros latirem.
Aprender a gostar mais ainda de futebol…
Apenas um natal…
Apenas um dia dos namorados…
Poucos aniversários…
Te olhar passando o perfume em um espelho, mas o cabelo só podia ser penteado no outro banheiro...
Observar logo cedo você preparar leite com toddy no microondas, jogar leite em pó dentro e comer com a colher...
Ouvir você pedindo suco de limão para a minha mãe todo final de semana, enquanto eu tomava refrigerante.
Rir quando você ganhava um tênis novo e se gabava sempre...
Escutar você falando sempre sobre dinheiro.
Ouvir você dizendo que todo mundo era um saco.
Ler os seus gestos, entender o seu jeito machista e orgulhoso, admirar as suas visões sobre a vida que passava na nossa frente…
Sempre escrever sobre você nas minhas agendas de adolescente…
Parabenizar pelo ganho do primeiro carro.
Te abraçar quando sua mãe viajava.
Meu medo de te perder.
Nossa fama.
Andar na rua…
Viajar aqui para pertinho uma única vezinha e ao invés de curtir, dormir a tarde toda…
Aguentar que você tinha aprendido a beber, sair, mentir, trair...
Parar para tentar te entender, perdoar, enchergar, abraçar, amar, parar para viver você…
Podiamos ter passado mais tempo fazendo coisas juntos, como as noites de teatro, cinema, fondue…
Ficar deitados até mais tarde, conversando, rindo e brincando de lutinha…
Ter encontrado um jeito de passar por cima dos nossos dramas mais tranquilos, esmaga-los e esquece-los…
Passar mais tempo na sua casa e dividir mais pensamentos e desejos.
Você ir comigo aonde eu quisesse…
Nos conhecermos ainda mais…
Saber se você largaria tudo por mim, e passaria junto comigo todas as tardes até ficar velhinhos…
Perder mais tempo beijando em vez de falando, amando em vez de brigando, esquecer o horário, ter parado de ir embora querendo ficar mais, ter deixado de lado um pouco os amigos, Perder tempo sorrindo…
E amar, pular, brincar… E dividir mais o sofá, o tapete, o chão, o seu coração. Te ajudar a cansar menos durante o dia e cansa-lo muito durante as noites… E levantar, se entregar e dar boa noite todo dia e avisar sempre aonde ia, recomeçar toda manhã, fazer mais dengo, te fazer sorrir mais.
Devia ter esquecido para sempre as magoas que sempre nos perseguiram, devia ter parado de ficar parada esperando as coisas aconteceram por si próprias, decidido logo se abria a porta ou te mandava embora, parado de derramar minhas lágrimas por todos os lugares, deixando sempre um rastro. Mais confesso que ainda arrisco, te espero, e espero o tempo me dizer a hora de parar e desistir. Mesmo diante da sua e da nossa ridicula, imatura e orgulhosa necessidade infinita de se afastar e se ignorar, amo você. E por tudo aquilo que vivemos não te esqueço e te pinto sempre na minha memória. Volta!

Colombina...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Enfim, agosto...

O Caio disse que é tolo entrar em depressão com pouco mais de 20 anos, e é mesmo, tanta coisa para viver, ver, sentir, ter... E eu aqui nesse marasmo infinito, mas confessso que é dificil me desvencilhar de coisas que a pouco eram minhas e no minuto seguinte já não eram mais.
Ah é que as vezes me chegam dias como hoje, em que reconheço que não posso lutar em guerras para as quais não tenho armas, hoje me sirvo de pensamentos um tanto realistas, de que certas coisas não me servem mais, pensamentos do tipo "chega" e "é perda de tempo" algo desse tipo, acho que paciência não combina mesmo com sentimento. O silêncio só aumenta a minha ansiedade, e eu nunca consigo terminar o que começo, quando vou ver já estou no meio, perco o inicio, daí antecipo o final, e isso está se tornando cada vez mais ácido. Por vezes tento me controlar, busco um foco, mas quando vejo uma luz, olho para o lado e vejo mais umas dez, a qual devo seguir meu Deus? talvez eu complique demais, talvez eu precise de um calmante, ou uma dose de desesperança, só me interesso pelo que ultrapassa. Quero coisas normais, quero querer coisas normais. Afinal por onde anda a minha vaga? e o meu caminho? essa trilha me tirou da estrada, me levou a um atalho que só me faz andar em circulos, alguém ai me manda um sinal? fumaça, gritos sei lá qualquer coisa. Chega em mim e me chacoalha, talvez isso funcione. Concentração: preciso disso, me concentrar no que mais me interessa, mudo de idéia tão rápido, porque? complicação é meu sobrenome e a complexidade me acompanha. E quando passo pela porta do quarto, logo atrás vem a duvida, pregada nas minhas costas. Eu ando sorrindo mentiras por ai, ando tentando querer mais o que é importante. Todo mundo precisa se perder um pouco para se encontrar, mas eu não estou nem perdida, já estou esquecida. Quero o caminho de volta se é que ele existe. Talvez me falte coragem, por vezes sou medrosa... Por vezes sou fria... Por vezes me acomodo. Me sinto pequena demais para um mundo tão gigante, e percebo que estou cada vez mais ficando para trás. Hoje amanheceu o primeiro dia de um mês assombrado. Agosto entrou enfim pela ponta dos pés, para mim podia ser um mês apenas no calendário, mas ele está aqui de volta fazendo seus talhos na madeira marrom da memória, em plena luz do dia vejo o fio de sua navalha afiada avaliar as minhas feridas e o sangue se espalha lentamente pela minha pele. Me aperta a deslumbrante certeza de que em mim está sendo despejado dias misteriosos que começam a fluir em meus olhos marejados de lágrimas, busco no céu azul celeste sem fim a razão destes muros cada vez mais altos que o medo tem levantado a minha frente. Estou parada, a vida lá fora é indiferente, ela continua a seguir e a minha correnteza não a alcança, talvez eu não queira acompanha-la, talvez eu seja medrosa o suficiente para não encara-la, posso manter a distância que quiser, não vai dar certo. Não quero ficar para sempre presa a memória de um verão. Não. Não quero tornar a segurar a lança pela ponta. Mas sei que todas as noites as escondidas enquanto durmo alguém foge com as minhas certezas escondidas entre os dedos. Pelo menos deixe um bilhete na minha lapide, caso eu acorde.

"Não quero lembrar. Faz mal lembrar das coisas que se foram e não voltam. Agora já passou. Não sinto raiva, não sinto nada. Sinto saudade, de vez em quando. Quando penso que podia ter sido diferente."

Caio F. Abreu

terça-feira, 26 de julho de 2011

Uma rima pregada na boca!

As vezes parece o que tenta ser.
E esconde o que é de embravecer.
Se alimenta de dor e sonhos,
Muitas facetas e olhos risonhos.
Titulos seus,
Agonias mutuas.
Orgulho por provocar tantas amarguras.
Esperar o que? Se está tudo perdido,
Mas já tens todo caminho andado,
Ou um tempo esquecido,
Tua rima não gruda.
E teu peito endurece.
Quanto mais se junta,
Mais desaparece.
Indiferença nata,
De dar e vender,
Só o que fica na caixa,
É o jeito de ser.
Tantas fotos,
Tantos risos.
Quer sufocar,
O que está esquecido.
Se engana e se fecha,
Se mata e se impôe,
A uma sociedade injusta,
Olha até aonde vai a tua astucia.
Se prende e erra,
Num jogo sem luta,
Quem dá as cartas rouba,
Quem está de fora julga.
As queixas são tantas,
Que não cabem em espaços,
Porém a saudade é tanta,
Mata até os passáros.
Faz-me esperar pela quinta vez,
Podem passar mais dois anos,
Ou até mais seis.
Minha fé é grande,
Meu pavio talvez.
Mas meu amor é sorte,
De tanta morte se refez.
Saber é escolha,
De quem aprendeu a ser.
Eu não pedi,
Mas meu ardor é você.

Colombina

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sabe aquelas horas em que afago os teus cabelos? O nome disso é carinho e amor verdadeiro!!!

As vezes o amor ilude, engana, promete, distrai. As vezes ele embaralha, alegra, confunde, machuca. E pessoas que pensamos conhecer há anos acabam virando meras desconhecidas do nada e, outras, que chegaram agora, parecem saber quem somos há duzentos anos. É tão dolorido, mas infelizmente é assim que as coisas são para "alguns"…
Porque por incrivel que pareça isso não acontece com a gente, posso ficar mil anos sem te ver, que quando te reencontrar saberei exatamente tudo, basta olhar no fundo dos teus olhos, porque você quase se entrega e me diz tudo com gestos, frases implicantes e olhares encabulados. Os nossos cheiros se misturam e a nossa pele se retém ao toque que é único, você por vezes ainda meio sem jeito e com um orgulho bobo, procura não me abraçar muito, mas logo demonstra com um sorriso estonteante e com palavras que apenas nós dois entendemos. E toda vez que te vejo, fico parecendo uma menina que acabou de ganhar uma boneca. Ah eu queria ter você assim todo dia, no meu colo só para mim, e me recostar no teu peito, para ser afagada como se deve ser, sentir teu cheiro, e a tua mão na minha perna, ser pega de surpresa com o teu abraço tão maior que o meu. Meu coração doi as vezes, e meus olhos chegam a ficar molhados, é por causa da falta que você me faz. Quando eu era pequena e me machucava ou estava sentindo alguma dor, todos os adultos diziam que era só dar um beijinho que passava, então será que se eu der um beijo no meu coração ele sara?

Colombina... A que quer de volta...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

E todo dia ela se refaz!

Andei pensando coisas. O que não é raro, dirão os insensiveis. Ou "o que foi desta vez?" - questionariam os complacentes. Para estes ultimos, quem sabe, escrevo. E não falo, digo: andei pensando coisas sobre essa moça que alguns chamam de "Colombina" e sabe a conclusão que cheguei? que essa moça é uma pessoa de primeiras vezes. De insensatez.
O primeiro abraço pela manhã a fascina; principalmente porque não existem esses abraços, apenas pessoas para tropeçar em seus passos. Só mesmo a lentidão das horas tem espaço nessa pequena porta que atravessa… E não demora muito para o seu brilho ser ofuscado por outras cores que se impõe. O vento ultrapassa barreiras e a vida começa todo dia sua rotina desumana: gritos, traços, correria, teclas, contratempos… Porque a saudade sempre desperta quando os seres humanos não abrem os olhos? Ela acha tipos, enfia as mãos no rosto, acelera a caminhada e volta para casa.
De vez em quando espia a lua de sua janela enquanto procura nomes escritos nas paredes. Um soluço, outro soluço e as nuvens se embaraçam ao longo de seu olhar. Quando tudo faz silêncio é hora de fechar as trancas e se esconder no sono… Rotineiramente ela espera pelo sol; mas nem sempre seus raios a agarram em tons coloridos pelo céu de seus desejos. Mas quando chove, ela gosta, porque dá mais vontade de dormir quentinha; parece uma menina boba debaixo das cobertas vendo desenho, esperando que um sopro arteiro a enlace, fazendo "mover" mais uma vez; e quando levanta parece mulher com a roupa toda amarrotada exibindo suas formas aprendendo a ser elegante… Quando a tarde vem, ela conta os minutos, esperando a noite chegar. Segue cada passo de um show interno de fogos que a faz respirar fundo recebendo as lembranças antigas que provocam sensações de montanha russa. Vez em quando derrete. Vez em quando aponta. Vez em quando salta, e só… Coração roubado, amores imperfeitos…
Até chegar a entrada passa pela cozinha onde prepara qualquer coisa leve. Mas não consegue e volta para o quarto, carregando um copo. Por lá se encontra com livros ou com sons, tentando esquecer notas e muitas vezes de si mesma, encosta e fecha os olhos, sente um frio e faz uma oração, uma prece e quase chora, quase morre… É assim, termina adormecendo ali e acorda só de manhã, nunca anda descalça, está sempre de pijama bambeando pelo meio da casa. Outro dia, mais um... Chega no branco e escreve. É desse jeito que ela vive com personagens. Planta lembranças, colhe desepero. Dias inteiros se acumulam naquela tela em baixo daquela lampâda que ilumina aquele lugar cercado de falsidade, ignorância e hipocrisia. Tudo ali junto, tudo sendo sentido por peles nada merecedoras de um massacre. Rodeados de inveja e uma ganância imoral. E ela simplesmente não se aguenta, se escora e por isso sempre escreve o meio e o fim de suas histórias, porque o começo ela nunca sabe aonde vai parar. Ela quer mesmo é dar um adeus definitivo. Já percorreu o universo inteiro; mas nunca esteve aonde queria estar. Se encontrou, reencontrou e se perdeu, não tem confidentes. E amanhece sempre sozinha… Espia os passáros e procura saber sobre o tempo e o lugar. O coração é antigo, com decoração inalterada com portas e janelas fechadas para qualquer coisa. Largada por si mesma a míngua, nem ela entra. E vive bem sozinha. Mesmo tendo familia e cachorro. Que por sinal conhecem suas manhãs e manias. Se ela pudesse nem sairia de casa durante o dia. Talvez assim suas histórias não seriam expulsas de si mesma, entregando a todos a sua realidade escondida. Olhos marejados, exaustos de ver a tela do computador... Tenta ser poeta ou escritora, para se tornar uma testemunha eterna de sentimentos vividos, caça moldes e formas variadas de si. Segue suspirando sonhos, dia após dia. Até que me encontrou aqui e todo dia vem me contar o que há.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Quero paz, quero mais...

Ah, tem coisas que quero tanto. Meu Deus, me dá cinco anos novamente por favor.
Me dá um pé de cereja com bastante cor, me dá um dia de Natal e a sua véspera, o barulho das pessoas chegando felizes.
Me dá a adedonha para eu brincar, me dá uma noite sem fim para eu dormir no colo da minha mãe. Me dá o amor da vida toda, felicidade infinita e medo sem partida,
me dá o ombro, me cura do trauma de ter ficado grande, ó meu Deus, meu pai, meu pai, por favor, por favor. Dá logo uma volta inteira na terra e me busca aqui, me tira desse labirinto. Sara aqui esses buraquinhos que fizeram no meu coração frágil, tira de mim os olhares famintos. Me salva do poder de deduzir tudo de ruim. Me encontra aqui no fundo da rotina, me liberta desses meus dias. Ofusca em mim um brilho natural que seja capaz de afastar a dor. Equilibra a minha balança do bem e do mal. Me exponha as luzes do teu sol e de todas as suas criações. Me mantenha em baixo de suas asas, e não deixe que o amor venenoso me afete cada vez mais. Arranca de mim o ódio penoso e apaga da consciência esse amor enganoso, que só quer saber é de maltratar. Tira de mim o dom de doer. Me ensina a esquecer. Me perdoa se passei do ponto e atravessei os limites, fiz tudo tentando acertar. Mas enquanto eu acho que é tudo dor e saudade tu vens e trabalha sem transparecer, só para eu me sentir mais leve. Obrigada Deus. Amém!

"A vida é assim, Senhor? Desabam mesmo pele do rosto e sonhos?"

Adélia Prado